
A casa dos sonhos é a casa onde cada qual se realiza e onde os visitantes sentem-se à vontade, como se estivessem em sua própria casa. Uma abelha visitando uma flor para colher alimento, sente-se confortável ali. Não é a casa dela, mas é uma hóspede bem recebida. Mal a vemos, é preciso colocar a câmera na posição macro, buscar o close, devagarinho, para flagrar o momento. Porém, há uma interação entre espaço e ser, no que chamamos casa dos sonhos.


Onézia mora em uma área suburbana e voltada à produção agrícola. Já fui lá a trabalho várias vezes e sempre passo na casa dela, que nos recebe com café, bolo, pão caseiro. Nos trata como se fôssemos uma novidade, uma lufada de vento fresco para a rotina morna do campo.
Na última vez que fui ao Cinturão Verde, há duas semanas, fui descendo do carro, toda íntima, como sempre sou com todo mundo: "seu quintal tá tão florido, que lindo", disse eu, sabendo que, na verdade, meu olho de caipira, de menina que andava pelas ruas de mato, catando florzinha do cerrado, era quem pinçava a beleza escondida naquele quintal. Olhando de longe, era um lugar comum.


"Eu amo flor. Tudo que eu gostava quando era menina e que eu queria ter na minha casa quando fosse mulher, eu tenho: eu sonhava em ter muitas flores no quintal e uma 'partileira' forrada de guardanapo e cheia de alumínio arreadinho. Hoje eu tenho tudo isso", me revela Onézia, serenamente orgulhosa de suas conquistas.
Caracá! Levei um delicioso soco no estômago. Flor e alumínio limpo, os desejos de consumo, os sonhos femininos desta senhora. Simples assim, aparentemente fácil de realizar e uma constatação: ser feliz é uma questão de escolha, inclusive quando o assunto é a nossa casa. E o tamanho do sonho nem se leva em conta.
Amei. Um protetor de crochê para proteger os puxadores da geladeira e armários, de forma que eles não se desgastem com o suor das mãos....
Os alumínios na 'partileira' 

Com guardanapo bordado e bico de crochê, mais uns canecos de ágata, ou esmaltado, como chamam aqui na minha terra
Tomei emprestada a câmera do fotógrafo JJ. Caju e fui captar os detalhes daquele simples e rústicos quintal. Tomei emprestada a visão da Onézia também.... De perto, na natureza, tudo é maravilhas. Cores, texturas, formas, veios, flores dentro de flores, contrastes, uma explosão de pequenos cuidados, mimos da casa Terra que Deus decorou para todos. Por isso, no sétimo dia, após utilizar Sua criatividade, Ele decansou, olhou mais de perto e viu que tudo que tinha feito era muito bom.



