quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ratos: mortes cruéis ou com design. E ratatouille, simplicidade chique



Minha amiga Talma postou sobre amor, ódio e assassinato envolvendo ratos e eu, como compartilho da ideia de que eles despertam múltiplas emoções, resolvi postar também, inclusive porque o assunto é ordem do dia aqui na Casa da Ana.

Cresci abanada pelas orelhas de Mickey Mouse. Fui alfabetizada por ele e Minie (Minei, dizia a Joana quando pequenininha). Quase me sentia da família. Ainda hoje seria difícil imaginá-lo assim, nosso super herói é imortal.



Já crescida, vai dizer que, como eu, não se apaixonou por Remy, seu refinamento e seu talento no preparo do ratatoiulle? Amo este trocadilho que a língua portuguesa permitiu e que, para as crianças, tinha certamente uma coisa a ver com outra.....



Todo mundo queria hamster aqui em casa. O Remy tornou-se um herói, um amor. Pediram que queriam comer ratatouile, que amo.

Fui eu refogar berinjelas picadas, alho, pimentões, cebolas, tomates, abobrinhas, e manjericão em bom azeite. (No filme eles preparam no forno, mas pode ser numa frigideira, me contaram, assim fiz). Montei um prato de chef.


Olha, esta foto não é minha, não...

E a decepção. As crianças odiaram, claro! Olharam para aquilo quase enojadas. Mais nojo de ratatouille que de rato. Como o filme podia endeuzar um trem tão ruim.... reclamações, críticas, ponderações e tive que comer tudo sozinha (que pena, hehehehehe!). Mas queijos com uva, eles aprenderam a gostar com Remy.

Como gostam de Emily e Alexander, os camundongos aventureiros que os levam a conhecer o mundo, enquanto enfrentam as falcatruas de Sem-Rabo-Não-Vale-Nada.
Na minha vida infantil real, nós tínhamos a presença dos roedores pelos arredores, mas ninguém pegava qualquer doença, ninguém dizia que seria possível morrer por isso. Por vezes, um ou outro guri era pego brincando com um pequeno exemplar. As pestes causadas pelos ratos já tinha assolado o mundo e a gente não tinha conhecimento, fazer o quê?

Convivíamos com eles, até que as ninhadas aumentavam e a gente caçava os ninhos, para ver os coitados dos filhos de ratos que nascem pelados (eu também nasci pelada e ninguém nunca me chamou de coitada, pobre de mim!!!). Por isso, eu nunca entendi esta expressão. "fulano é um coitado, é? coitado é filho de rato que nasce pelado!". Vai saber o que passa na cabeça de quem inventa frases de efeito que se proliferam e tomam o mundo! Mas acho que nos chamava a atenção este ar desprotegido, como se até as entrenhas pudessem ser vistas e isso nos atraía, na curiosidade infantil.


Mas, quando a gente tava caçando filhotes quase transparentes, de pelezinha rosada, uma coisinha linda de tão feia e asquerosa, mãe tomava providência. Ratoeira e veneno nos cantos escondidos para pegar os ratos canalhas.

Canalha mesmo, quer ver?! Além de arrumarem estratégias para pegar os naquinhos saborosos de queijo na armadilha...., sem cair, canalhas.


Canalhas, certa vez, um deu de morrer dentro de um pé do único par de tênis que eu tinha. Enfiei o pé sem ver, pisei aquela coisa..... arrepios!!!! arrepios!!!! Que inferno usar aquilo de novo, mesmo depois de lavado, desinfetado.... não tinha outro tênis e aquela sensação de que eu pisava a imundície do mundo.

Não falei que despertam duplas emoções em mim....? porque eu os acho realmente bonitinhos. O focinho, os olhinhos, o rabão, as orelhinhas. Aquela cara de quem precisa de algo. Mas, caramba, eles roubam, fazem titica onde comem e causam doenças, tanto suas fezes, quando sua urina. E se reproduzem numa rapidez assustadora. Eles nos enganam!!!! Se ficar com dó, daqui uns dias eles tomam conta de tudo, creia.

Há algum tempo, depois que deixamos de ter gatos, eles começaram a me visitar. Compramos umas iscas cor-de-rosa, alguns morreram, outros comiam, comiam, comiam e parecia que nem sentiam cócegas. Aliás, um deles apareceu meio tonto.... O Vini meteu um sapato contra ele, acertou em cheio. Uma gotinha de sangue no chão e o corpinho ficou lá, estendido. Num segundo, o guri ostentou aquele ar de dever cumprido e orgulho da sua façanha quase felina. No segundo seguinte, aquele misto: veio a pena, o meu garoto chorou. "E se eu matei um pai de família?". O consolamos, explicando que aquela coisinha fofa podia ser muito perigosa, leptospirose, raiva, pestes....

Insisti com o veneno cor-de-rosa porque o tal mão-branca eu não tenho coragem nem de por as mãos!!!!! Um dia, a cadela conseguiu provar. Quase morri de susto, ela nem tremeu, mas levei pro veterinário, fiz correria e desisti deste método.

De volta das férias, agora, a colônia invadiu minha casa novamente. Os gatos saíram, os ratos fizeram a festa!!! Então, ratoeira neles. Já pegamos uns seis. Também pesquisei métodos menos brutais de fazer a desratização ou será o raticídio?

Veneno caseiro para matar ratos
Receita 1 - Bata no liquidificador uma xícara de feijão - qualquer um - até se transformar em pó com um pouco de pedacinhos. Coloque em tampinhas, em vários pontos. Eu requintei a iguaria, acrescentando queijo parmesão ralado - aquele Teixeira mesmo. Dizem que eles comem o pó e seu organismo não consegue digerir. Então eles incham que nem activia resolve e cataplan, vão pro beleléu. Parace menos brutal? Parece que está dando certo, hoje a funcionária doméstica disse que apareceu um morto, estufado, sem ser de pescoço quebrado...

Receita 2 - Também vi uma receita para misturar cimento comum, fubá e queijo ralado. Pensa as entranhas do pobre... será que é menos brutal mesmo? Também vi na net uma armadilha que é um adesivo, onde eles colam as patas. Agora me conta: eles ficam colados ali e a gente faz o que? olha pra eles e dá um tiro na fuça? Ou pega pra criar? Não entendi o desdobramento da coisa.

Ratoeira tem sido o método mais eficiente. Sem medo, sem dó, mas com drama. Melhor, dramas. Montar o trem sem quebrar o próprio dedo é tarefa para mãos com sintonia fina. A funcionária doméstica fazia esta parte, mas já aprendi a fazer também. O segundo drama é tirar o defunto da ratoeira. Ela não tira nem, nem. Já eu, tiro na boa, sem dó, com aquela mesma cara de esperteza felina do menino. Só que eles ficam ali, paradinhos, sem aquela correria desatada dos ratos, com os olhos abertos, sem sangue escorrendo, aquela cara marota de Remy. Acaba dando uma vontade de fazer uns carinhos!


Talvez, nesta era de tentar novas sensibilidades para com o mundo animal, o negócio seja 'humanizar' e glamourizar o 'passamento' do 'ente querido', falecido de forma trágica por raticídio doloso e qualificado - armadilha armada com intensão expressa de matar, sem direito a defesa da vítima e com requintes de crueldade (um queijinho atrativo, o sonho de uma refeição de filme e, plaft, a morte), mas pompa, honra e circustância (taí, não entendo o circunstância desta expressão também). Como nesta ratoeira de grife, cristã, clean, prática e com design assinado por Sarah Dery.





Não seria um charme de morte, sem contar que ninguém precisaria tirar o pobre defunto da ratoeira....???? E ainda teria um enterro em caixão e tudo.... e menos peso na consciência de nós, os raticidas.

7 comentários:

Talma disse...

Menina, mas e não é??
É isso mesmo!
Como matar aquelas coisas asquerosas e fofinhas, ao mesmo tempo??
Eles fazem aquele "olhar perdido" feito o gato do Shrek.
Agora uma coisa séria para te falar, sobre a tal "receita caseira com feijao triturado".
Eu li num blog, na parte dos comentários ( e o autor pedia para que lêssemos tudo nos comentários) porque pessas entendidas no assunto comentaram na tal postagem. Ocorre que alguém retirou esse lance do feijão, de uma experiencia controlada, pinçou do contexto e largou na net, como verdade absoluta - e não é!! E os comentários alertavam para o perigo que vc estar alimentando ratos, em vez de matá-los.
Se eu achar o blog do cara, te mando, porque vale a pena ler.
Beijocas!!!!
* será que tem daquele caixaozinho para passarinho?? ontem Mariana achou um, morto, no pátio. Snif!!
** será que matei o passarinho, sem querer?

Talma disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Talma disse...

Aqui tem um cara que dá dicas quentes, mas os comentários sao podres...
http://testandoelgoogle.blogspot.com/2007/07/como-matar-ratos.html

Talma disse...

Ah, detalhe importante: na minha garagem tinha ( porque já tirei) dois potinhos com pó de feijão.

Talma disse...

Achei o link que fala que o lance do feijao é uma LENDA URBANA:
http://www.alambraga.com.br/blog/?p=307

Santinha disse...

adorei seu post assim como ja tinha visto o da Thalma também...
Eu disse para ela que morro de medo de ratos...São bonitinhos, mas gostei da receita para espantá-los...
lindo fim de semana!

Andressa disse...

Eu tenho pavor de ratos!!!!!!!! Uma única vez entrou um aqui em casa, filhotinho, mas me deu um trabalhão danado. Me indicarão um veneno chamado mão branca, a minha amiga falou que matava até gato, num é que o bichinho comia aquilo de monte e não moria. E até então só eu tinha visto o rato dentro de casa, todo mundo tava achando que eu era loka, tinha que provar minha sanidade mental. No final, precisou de três homens pra matar o ratinho. Danado!!!!!
Bju